quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

De volta ao recomeço!

Começo de novo,
Após tanto tempo,
Chegou o momento
De recomeçar.
Na vida que passa
Em que tudo cessa,
Não passa ou acaba
Pra quem recomeça.

Tudo aqui, diz o verbo,
tem seu tempo certo
De acontecer.
Num dia se nasce
no outro se cresce,
em outro padece
de certo que noutro
se deve morrer.

Mas não morre o ente
que crer na semente
gerada por Deus.
Nascendo de novo,
A cada alvorada,
Retorna à estrada
Seguindo e buscando
Nova caminhada.

Retorno contente
fazendo o que a gente
mais gosta e mais quer,
Mas sempre falando
Do que acredita,
Postando algo novo
Com fé no Divino,
Da fé do meu povo.

Geraldo Souza
Folia de Reis, 2014

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Respeito à liberdade e liberdade com respeito

A maior satisfação de quem escreve é saber que alguém leu o que foi escrito. É estimulante. Do contrário, se o escrito não é lido, qual a sua serventia? Em um blog, é difícil saber se alguém leu. Só há uma forma concreta que confirma a leitura: o comentário. Quando publico uma postagem fico ansioso à espera de um comentário. Normalmente os comentários partem de pessoas amigas e quase sempre são elogiosos, concordantes, amáveis e, consequentemente, agradáveis. Mas há também os comentários críticos, discordantes. Os primeiros são muito bons; estes últimos são ótimos e necessários. Fazem-nos crescer. Buscar a perfeição.
Meus escritos refletem minhas opiniões; o que acho, o que penso sobre determinado tema e todos os leitores têm o direito de concordar ou discordar, afinal, ninguém é dono da verdade.
Uma outra coisa é a interpretação equivocada do que está escrito. E, aí, me é lícito o direito de esclarecer.
Em uma postagem sob o título "Ê! Brasilzim!", publicada em Julho, recebi um comentário recente de um leitor anônimo, que classificaria não de discordante, mas de equivocado. Confesso que fiquei feliz com o comentário posto que fui lido e estou tendo a oportunidade de esclarecer.
Meu caro leitor anônimo, não sei sua orientação sexual nem a sua opinião sobre o uso liberado da maconha mas posso imaginar ambas e, de coração, respeito-as, esteja eu certo ou enganado.
Não sou contra os homossexuais e respeito os usuários de drogas, mesmo porque tenho amigos e até parentes em uma ou outra categoria, e não deixo de admirar suas virtudes nem de respeitá-los como seres humanos, filhos amados do Pai Eterno.
Os gays, as lésbicas, os bissexuais, ou seja qual for a denominação que queiram dar, têm o direito de viver conforme suas preferências desde que respeitem os direitos dos outros, como também os héteros são obrigados a respeitarem os direitos e as particularidades de todos que convivem em sociedade. Quanto à maconha, se a lei vier a permitir o uso livre, terei que aceitar e respeitar a lei, mas continuarei a achar uma lei errada e a lamentar pelo incomensurável mal que isso trará para a nossa sociedade e em especial para os nossos jovens.
Enfim, meu caro anônimo, quis eu referir-me às contradições que vejo em nosso país e não peço a ninguém que concorde comigo. Tantos direitos negados, tantas injustiças, tanta corrupção. Tantas prioridades a serem discutidas e decididas e, no meu ver, nem a liberação da maconha nem o casamento gay estão entre essas prioridades. Isso não é desrespeito aos gays ou a quem quer que seja e sim respeito à maioria do povo brasileiro. Vivemos uma inversão de valores: os devedores têm mais direitos que os bons pagadores; os professores são desrespeitados e agredidos pelos alunos enquanto a sociedade e a própria imprensa, muitas vezes, se posicionam contra os mestres (leia a postagem "Da palmatória à cadeirada" publicada em Março); os policiais são mais fiscalizados do que os bandidos; as leis de trânsito são flagrantemente desrespeitadas e se acusa o governo de "fábrica de multas"; etc.; etc..
Eu aceito que cada um seja o que quiser ser e faça o que tiver vontade de fazer desde que não agrida à sociedade nem à sensibilidade das pessoas e, muito menos, à lei. Mas também tenho o direito de não concordar com o casamento entre pessoas do mesmo sexo; de não concordar com a liberação das drogas e de achar que há prioridades mais urgentes a serem debatidas.
Obrigado pelo comentário. Não deixe de ler. Não deixe de comentar ainda que seja contrário às minhas opiniões.
Constituição Federal

terça-feira, 19 de julho de 2011

O Estado pode. Nós...

Não faz muito tempo que saímos de um estado de autoritarismo (ditadura decorrente do golpe militar de 31 de março de 1964) para um estado democrático, com liberdade de ideias e de expressão. Isso foi muito bom.
Mas o estado continua com frequentes intervenções na liberdade e nos direitos individuais dos cidadãos. Quase não se observa isso, mas é fato. A revista VEJA publicou uma entrevista, nas suas famosas páginas amarelas, edição de 11 de maio deste ano, com o filósofo gaúcho Denis Lerrer Rosenfield, que faz uma boa análise dessas contradições nas democracias modernas, especialmente no Brasil. Se você não leu, pode ler e tirar suas conclusões. Aproveito para dar uma dica: na página da revista veja você encontra um link chamado "acervo digital" no qual pode-se ler todas as edições da revista, desde a primeira em 1968. Confira o acervo: http://veja.abril.com.br/acervodigital/home.aspx.
Só para dar um exemplo, diz o filósofo: "Nenhuma pessoa pode ser forçada a ser rica ou saudável, contra a própria vontade. Se alguém decide fumar ou beber, isso é um problema dessa pessoa, não do estado".
Tudo isso é para relatar um fato que me aconteceu semana passada e que me deixou, digamos, um tanto insatisfeito e dois tantos revoltado e indignado.
O governo controla a economia, coíbe o aumento de preços e a aplicação de juros abusivos. Isto é ótimo e seria melhor se ele chicoteasse o próprio lombo, mas isso ele não faz. Suas Instituições estão livres desse controle. Mas vamos ao fato.
Na semana passada, ocorreu o vencimento do licenciamento do meu automóvel, ou seja, o dia de pagar o IPVA do meu carro com desconto, segundo eles. Infelizmente, só me lembrei quando já estava no aconchego do meu lar, tentando adormecer para um merecido repouso depois de um árduo dia de labuta. Pensei: - Lá se foram meus dez por cento. No dia seguinte, apressei-me em chegar ao DETRAN, no Shopping mais próximo, para pagar pelo erro da minha falta de memória. Gentilmente o funcionário me atendeu e de imediato emitiu uma segunda via que poderia ser paga no, e somente no, BANESE (isso é para não dar "comissão" para outros bancos). Foi aí que me veio aquele sentimento misto de raiva, indignação, impotência, revolta etc, etc, etc. Minha conta aumentou quase R$ 130,00 de um dia para o outro.

Isto representou mais de 20%. Ou seja, por um dia perdi 10% de desconto e paguei mais de outros 10% de multa ou de castigo pelo esquecimento. E o pior. Esse aumento foi só na parte do governo. O IPVA subiu mais de 15% e a taxa de licenciamento, pasmem, mais de 80%. O seguro obrigatório, que não vai para os cofres públicos, não aumentou nadinha de nada. Importante: se o meu vencimento é em julho, só estaria irregular em setembro se não houvesse pago dentro do mês. Só poderia ser multado em setembro. Dedução: paguei  com multa e juros exorbitantes pelo que ainda não devia.
É isso aí! O governo pode, nós...

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Acontecido em 8 de julho

Esse 8 de julho foi marcado por grandes acontecimentos e grandes comemorações.
Os sergipanos têm muito o que comemorar. Desde 1820 que estamos libertos do domínio baiano por decreto do Rei Dom João VI, decorrente de pressões e interesses dos ruralistas sergipanos da época.


Hino de Sergipe com nossa Orquestra Sinfônica


São 191 anos de emancipação política e, nesta data, o povo são-cristovense e todos os sergipanos foram agraciados com o título de patrimônio cultural da humanidade, atribuído pela UNESCO à praça São Francisco na cidade de São Cristóvão. Parabéns, Sergipe.

Agora uma notícia triste: O Brasil perdeu Billy Blanco, um de nossos maiores compositores e um dos criadores da "Bossa Nova", um estilo musical brasileiro, gestado nos anos de 1950 e 1960 e que fez e faz sucesso no Brasil e no Mundo. Billy morreu aos 87 anos vítima de complicações decorrentes de um AVC sofrido no final do ano passado. Veja, abaixo, ele e o filho numa brincadeira com um de seus primeiros e maiores sucessos, Tereza da Praia. Obrigado, Billy!


Nos Estados Unidos, o ônibus espacial Atlantis foi lançado para sua última missão no espaço sideral, mas o programa de exploração do cosmo continua, embora com uma desacelerada por causa da crise econômica mundial.
Ôxente!
Isso é que é data.

domingo, 3 de julho de 2011

Ê! Brasilzim!

As estatísticas mostram que os casamentos oficiais vêm diminuindo e os divórcios, aumentando.
Isso entre os héteros, posto que eram os únicos que podiam.
Agora, essa estatística vai continuar em descendência mas uma outra vai disparar em ascendência já que os "homos" já podem. O "Supremo" já aprovou e ai do juiz que desaprovar.
Adotar uma criança é extremamente complicado e burocrático mas, brevemente isso será bastante facilitado para os casais gays. Duvida???
Esse mundo está cada vez mais de cabeça para baixo.
O vício do fumo vem sendo coibido gradativamente. Fumar era elegante e se praticava em qualquer ambiente social. Foram proibindo aqui; foram proibindo ali; foram proibindo... Agora só se pode fumar em casa e se a família for extremamente compreensiva e liberal. Fumar virou crime. O Governo e parte da sociedade quer obrigar as pessoas a protegerem a sua saúde e o fumo faz muito mal. Até as propagandas e campanhas pró cigarro foram proibidas.
Uma minoria, contudo, quer fazer campanha pró maconha e o "Supremo" já aprovou. Pode??
Fumar cigarro de fumo (que a maioria quer) não pode, mas fumar cigarro de maconha livremente (que uma minoria está querendo)... Breve vai poder. Será possível???
Esse mundo está cada vez mais de cabeça para baixo.
O que fazer para desemborcá-lo?
Pense!
Esse é o país onde as minorias mandam e as maiorias calam.

domingo, 27 de março de 2011

Quem é?

“Vigiai, portanto, porque não sabeis nem o dia nem a hora.”
(Mt 25, 13)

Quem é essa visitante traiçoeira,
que nos chega sorrateira,
sem convite, sem chamado?
Quem é essa insensata, inoportuna,
que as vezes manda recado,
mas quase sempre faz surpresa?
Quem é essa que carrega a quem procura,
que por vez nem lhe tortura,
mas lhe rapta de repente,
deixando uma dor pungente,
nos que ficam lacerados?
Quem é essa navegante,
sem porto certo, errante, sem hora para aportar,
mas que aporta com certeza,
pra quem lhe espera é surpresa, pra ela certo será.
Seu rosto não se conhece,
pois só o mostra a quem visita,
e a quem visita ela leva quem não volta pra contar.
E esta desconhecida – todos sabem – um dia chega,
chega cedo, chega tarde, não tem hora nem lugar.
E todos sabendo disso, sabendo dessa certeza,
nunca conseguem a proeza de saber se preparar.
Essa inconveniente, não se comove, é comovente,
deixa sempre choro e pesar.
Mas, quem é essa malvada,
que nunca é castigada, mas castiga sem cessar?
Há quem dela nunca fale,
estremece com a idéia, não comenta, não discute,
teme apressar-lhe a visita.
Não sabe essa criatura que a visita um dia chega,
mas nada apressa ou retarda a chegada da desdita.
A hora de sua vinda é mistério indecifrável,
nem ela sabe essa hora, mas bem na hora ela chega
e chega com sutileza, cumprindo sua missão.
Missão triste, com certeza, pra quem vai e pra quem fica,
nunca pra ela, a maldita, que executa seu labor.
De quem falo? Falo dela.
Da única coisa certa que nessa vida se tem.
Com certeza você já sabe,
falo da temida morte
que por azar ou por sorte um dia ela sempre vem.
Não se deve fugir dela, isso é busca inacessível.
O que fazer? E é possível?
Sim, é tentar preparar-se pra receber a visita.
Pois se de certo ela vem e o tempo passa apressado,
Se a visita não nos chega, chega pra alguém muito amado.

Geraldo Souza
Março/2011

sábado, 19 de março de 2011

Da palmatória à cadeirada

Não que se queira ser a palmatória do mundo, mas é urgente refletir sobre as mudanças na educação que as gerações presentes têm presenteado as crianças e os jovens, de certos tempos para cá. Com freqüência, vimos noticias nos meios de comunicação dando conta de agressões sofridas por professores, dentro das próprias salas de aulas. O caso mais recente foi o da professora que ao pedir silêncio para a turma foi surpreendida com uma cadeirada, ferindo-a na altura da cintura, não tendo o caso um desfecho mais grave, graças à intervenção de outros alunos que conseguiram conter o estudante (ou meliante).  (a notícia)
Muitos outros casos de agressão são vistos com freqüência na mídia. E de quem será a culpa? Será que os jovens de hoje são mais violentos e menos tolerantes? Será que os professores dos tempos atuais são incompetentes e menos hábeis para lidar com a juventude? Será que os filmes, os desenhos animados e os jogos eletrônicos incitam a violência? A resposta é não.

Sempre existiram filmes de violência desde os “cowboys”, os filmes e seriados policiais e os de artes marciais. O veterano John Wayne iniciou seu sucesso em 1930 e em várias películas disparou centenas ou milhares de tiros, acabando com a vida de muitos bandidos e índios revoltosos, no sangrento velho oeste americano. O mocinho com cara de malvado carregava dois potentes revólveres na cintura e não hesitava em dispará-los exterminando quem atravessasse seu caminho. E os orientais especialistas em caratê ou outras artes afins chegavam a arrancar a cabeça de seus inimigos com golpes fatais. E muitos outros filmes que envolviam a máfia italiana, os agentes secretos ingleses como o 007, as guerras que geravam os “heróis” americanos como o Rambo, e tantos e tantos outros, eivados de violência, mas que nem por isso geravam essa violência nos jovens espectadores entusiasmados.
Nas escolas, os alunos eram duramente castigados se cometessem algum deslize. A palmatória era usada para punir por um “mal feito” ou até por não ter acertado a tabuada. As crianças eram postas de joelhos por determinado tempo, como pena reparadora de determinado erro, à vista dos colegas, para servir de exemplo. Ser mandado para a Diretoria era um terror; significava erro grave pelo qual os pais deveriam ser comunicados e poderia motivar a suspensão ou até expulsão da escola. Tudo isso era feito com a autoridade e a autonomia do corpo docente, com plena aprovação e consentimento dos pais ou responsáveis. Todos os colégios mantinham normas disciplinares rígidas, todas de pleno conhecimento das famílias e da sociedade.
Mas, como diz o poeta, o tempo não pára. A terra gira e mundo está em constante evolução. Algumas crianças podem ter ficado traumatizadas com esses rígidos castigos do passado. Em verdade, nunca vi ninguém com esses traumas, mas é possível que exista, afinal, conheço muito pouca gente nesse mundão de meu Deus. A evolução trouxe mudanças que, paulatinamente, foram transformando os métodos e as práticas educativas.
Entramos na era do diálogo, da conversa, do não à violência. Infelizmente chegamos a fases em que tudo era permitido. É proibido proibir.
Isso sim trouxe conseqüências desastrosas. Hoje, demos graças, muitos de nossos sábios já reconhecem os erros do excesso do “tudo é permitido” e afirmam que crianças e jovens necessitam que lhes sejam impostos limites.
Tudo isso foi estendido às demais áreas do conhecimento e da sociedade. Há uma confusão no conceito de cidadania, de direitos individuais e coletivos e até de direitos humanos. Há leis que punem os infratores, mas há uma gama de outras normas legais que protegem os maus elementos, os caloteiros e outros.
Antes, o professor castigava o aluno com o consentimento e aprovação dos pais. Hoje, se o professor der um carão no estudante, os pais recorrem à imprensa e à justiça exigindo reparação e até indenização por constrangimento e danos morais, ou seja, o aluno erra e o professor é castigado.
A professora agredida com a cadeirada, mencionada no início, ficou ferida por fora e por dentro, e nada mais; o agressor, segundo a imprensa, poderá ser punido com a suspensão por uma semana de aula. Será que para esse jovem patife, isso será castigo? Ou será prêmio?

Suponho, mas não tenho certeza da resposta. Mas uma certeza eu tenho: se, ao contrário, a mestra o tivesse agredido, ainda que apenas com duras palavras ofensivas, seria ela execrada pela imprensa e por toda a sociedade e, no mínimo, perderia a cátedra. Felizmente ela não perdeu a cadeira; infelizmente ganhou a cadeirada. E o salário, oh!






Geraldo Freitas Souza
março/2011

sexta-feira, 11 de março de 2011

Carnaval de ontem e de hoje

Desde a não participação na festa porque a mulher não deixa até o reconhecimento do cansaço e da fraqueza dos super-heróis que “fogem” do perigo, passando pelo amasso das latinhas com os músculos glúteos, o que facilitaria o trabalho dos catadores, tudo isso demonstra a “evolução” da musicalidade que rege a maior festa popular brasileira, o carnaval.
O carnaval de hoje pode ser tido como uma festa cultural, mas não como cultura.
O carnaval era samba, frevo e marcha ou marchinhas com suas variações como a marcha-rancho (eita, que antiguidade!), mas hoje, principalmente no nordeste, é “axé”, “pagode” e até forró. Não se fala e muito menos se compõem músicas de carnaval ou para o carnaval. Pega-se o que há de pior qualidade, desde que tenha um toque de sexualidade e erotismo ou pelo menos de duplo sentido, atribui-se um arranjo mais acelerado e pronto; eis aí a música para o carnaval.
Colombinas, arlequins e pierrôs povoavam os salões e as canções carnavalescas de outrora, atribuindo-lhes um sabor misto de alegria, sensualidade e romantismo, por vezes permeado por sentimentos de ciúme e traição. O ritmo frenético do frevo fluía dos metais; sambas e marchinhas emanavam da percussão cadenciada e os foliões dançavam e pulavam, ao tempo em que se embeveciam com as letras românticas, com toques de humor e malícia, abraçados às suas caras-metades ou a procura delas. A marcha-rancho surgia como um alento, um refrigério, acalmando os ânimos e aconchegando os corações apaixonados.
O carnaval sempre foi uma festa profana, carregada de malícia e sensualidade. As letras sempre ressaltaram o namoro, a beleza feminina, o triângulo amoroso. Também faziam referência a fatos históricos ou atuais, em destaque na época. A ida do homem ao espaço sideral e à lua, o início do conflito em Israel, a mudança da capital do Brasil para Brasília foram alguns dos temas que marcaram época e inspiraram os compositores momescos.
O carnaval é cultural. Confetes e serpentinas, pouca roupa e muito brilho, homens vestidos de mulher, mais liberalidade nos vícios e na sexualidade. Tudo isso é carnaval, tudo isso sempre se viu embora cada época tenha seu grau de permissividade. O que ontem era proibido, hoje é permitido. Não vou opinar sobre o que acho certo ou errado. Cada um construa a sua própria opinião.
E o que mudou?
Para mim mudou a criatividade. Basta ver as letras com poucas frases e meramente apelativas. Mas, mudou principalmente o sentido cultural da maior festa popular brasileira. Transformaram o carnaval numa festa de rua sem identidade. Alteraram o “DNA” da folia de Momo e ela hoje é irreconhecível posto que se confunde com qualquer outra festa. Se duvida, vá ver, em qualquer cidade, suas festas comemorativas em qualquer época do ano. São as mesmas bandas, as mesmas músicas e as mesmas “misturas de ritmos”.
É preciso resgatar essa cultura. Não que se volte a carnavais como os de antigamente, mas que sejam carnavais. Que tenham canções e ritmos próprios dos carnavais. Que tenham músicas e letras que falem do carnaval, que falem do amor e do romance entre os foliões (homem e mulher), ainda que amores efêmeros, que ressaltem a alegria e que ironizem a tristeza. Enfim, carnaval com identidade própria, que não se possa confundir com festa de aniversário da cidade, com festa da Padroeira (no seu aspecto profano) nem muito menos com a tradicional festa junina.
Ainda bem, que aqui e ali ainda surgem algumas poucas manifestações do autêntico carnaval, mas é muito pouco.
Pense nisso e de quebra conheça ou relembre uma marcha-rancho de grande sucesso nos carnavais do passado.

“Tanto riso, oh! Quanta alegria,
Mais de mil palhaços no salão.
Arlequim está chorando pelo amor da colombina,
No meio da multidão.

Foi bom te ver outra vez
Está fazendo um ano
Foi no carnaval que passou,
Eu sou aquele pierrô
Que te abraçou,
Que te beijou, meu amor,
Na mesma máscara negra
Escondes teu rosto,
Eu quero matar a saudade.
Vou beijar-te agora,
Não me leve a mal
Hoje é carnaval.

(Máscara Negra - Zé Queti – 1967)
Geraldo Souza
Carnaval de 2011

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

O Salário é o mínimo

É, o salário é o mínimo e o mínimo é o máximo.
O máximo que o Governo pode dar e o máximo que o pobre pode ganhar.
É o mínimo que o patrão pode pagar e é o mínimo que o pobre pode receber.
Já ouvi essa frase: É pouco para quem recebe, mas é muito para quem paga.
E nesse trocadilho de frases feitas, de idéias preconcebidas, de prós e contras, o tempo vai passando e o pobre vai se ferrando e vai vendo o tempo passar sem nada ou quase nada mudar.
Não quero difundir o pessimismo. Sei que as coisas estão melhorando. Mas, estão melhorando muito devagar e de forma hierarquizada: Os muito ricos melhoram muito; os menos ricos melhoram menos; os pobres quase nada melhoram (só de 510 para 545); e os miseráveis é bom nem falar.
"...e ao pobre falta o que é necessário,
mesmo quando tem salário,
vive a mendigar."
Quem ganhou com o salário mínimo foram o Governo e a Oposição.
O Governo ganhou sua primeira grande batalha no Congresso Nacional, o que não foi muito difícil, e consolidou sua superioridade. Nas duas casas legislativas, não houve dificuldades, batalhas vencidas sem baixas. Nunca foi tão fácil. Apelou para a crise econômica, para o deficit da previdência e para a austeridade no gasto público. Ah, quem te viu, quem te vê!!!
A Oposição não conseguiu aprovar sua hipocrisia mas fez seu comercial. Ganhou também. Aproveitou a oportunidade para, com rara exuberância, atacar o Governo, criticar o insignificante aumento do salário mínimo e posar de defensora do povão, dos pobres assalariados. Ah, quem te viu, quem te vê!!!
R$ 545,00, R$ 560,00 ou R$ 600,00, é tudo a mesma coisa, passa fome do mesmo jeito, sofre as mesmas humilhações. Ou alguém duvida?
O governo também ganhou porque aprovou a fixação da regra; agora ele não precisa mais do Congresso para definir o Salário Mínimo, pelos próximos quatro anos. E o Congresso tem um trabalho a menos e menos uma oportunidade de aparecer. A Oposição reclamou, mas reclamar de que? O Governo sempre aprova o salário que quer e essa votação acaba se tornando uma grande encenação anual, que se reedita sem grandes mudanças; sempre com o mesmo tema e mesmo enredo: o Governo defende, a oposição ataca, o Governo ganha. Quem é governo garante que não pode pagar mais; quem é oposição garante que pode.
E assim segue a vida.
"Não ponhas tuas esperanças nos homens." "Se Deus não guardar a tua casa, em vão trabalhará o vigia."
É por isso que vive o pobre porque, se não for por causa do poder do Alto, quem vive com R$ 545,00???
Deus nos proteja.

Fevereiro/2011
Geraldo Souza

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

A Casa Caiada

A casa caiada caíra, coitada, de vara quebrada, parede rachada, de telha partida, e a dona parada, na porta de entrada ficara espantada: seria verdade que a casa caiada tivera caído? Não mais serviria pra dar-lhe guarida? Os filhos nasceram na casa caiada, na casa criara, de si os rebentos, porvir sofrimento, viera o alento de filhos criados, prantos derramados, fortaleza tivera, vencendo a pobreza, com brio e nobreza, da vida a beleza, soubera esperar, e filhos criados, vencera, pensara, a casa servira e mais serviria pra dar-lhe guarida no fim dessa vida. A casa caiada se antecipara, sua vida se expira, e a dona coitada, já velha alquebrada, que filhos criara, na vida sofrida, na casa caiada agora caída, carece de amparo, na casa daqueles que aquela criara. Será que amparo haverá  para aquela, que casa tivera e nela criara, com dor sofrimento, a cada rebento, que de si saíra, com amor e rigor, que exige a pobreza, e jaz com nobreza, a espera do amparo, na porta da casa, caiada e caída, que dela guarida não pode esperar, e espera que filho que pobre criara, guarida ofereça pra aquela que agora, a casa caida não pode amparar.
Novembro/2010
Geraldo Freitas Souza